Governar exige serenidade. Mas também exige decisão.

Passados quase 17 meses de governo, o prefeito Mateus Silva já teve tempo suficiente para observar, medir, corrigir rotas e cobrar resultados. A essa altura, paciência deixa de ser virtude quando começa a se confundir com tolerância excessiva diante da baixa entrega. E é justamente aí que mora o risco.
O jovem prefeito de Caraguá segue enfrentando boicotes em seu governo, equipe com problemas graves e muitos ataques nas redes sociais.
Prefeito não foi eleito para assistir. Foi eleito para comandar.
Quem ocupa uma secretaria não está ali para compor fotografia de posse, preencher organograma ou sustentar discurso de bastidor. Secretário existe para executar, resolver, acelerar, liderar equipe e transformar diretriz política em resultado concreto na rua. Quando isso não acontece, o problema deixa de ser apenas do auxiliar. Passa a atingir diretamente o governo e, inevitavelmente, a imagem do prefeito.
A população não costuma separar as responsabilidades com a delicadeza da burocracia. O cidadão não diz que a falha é de um secretário ineficiente, de um adjunto perdido ou de uma equipe sem ritmo. O cidadão diz que a Prefeitura não funciona. E, no fim, a conta sempre chega ao gabinete.
É natural que um prefeito, especialmente no início do mandato, aposte em confiança, dê prazo, tente preservar nomes e evite rupturas precipitadas. Isso faz parte da prudência administrativa. Mas há um ponto em que insistir demais em quem não entrega deixa de ser prudência e passa a ser erro político.
A lealdade pessoal não pode valer mais do que a obrigação pública de fazer a máquina andar.
Se há áreas travadas, secretarias sem rumo, setores que acumulam reclamações e quadros que já demonstraram incapacidade de resposta, a troca não pode ser tratada como trauma. Trocar é parte do ato de governar. Às vezes, é o único gesto capaz de sinalizar que o governo entendeu o recado das ruas e decidiu reagir.
Não se trata de defender caça às bruxas, fritura pública ou dança das cadeiras por impulso. Trata-se de uma cobrança simples e madura: quem não ajuda a resolver, passa a fazer parte do problema.
Mateus ainda tem tempo para ajustar o time, recuperar ritmo e demonstrar autoridade sobre a própria gestão. Mas esse tempo não é infinito. Todo governo que demora demais para trocar peças ruins acaba transmitindo a sensação de conformismo, fraqueza ou dependência. E nenhuma dessas imagens interessa a um prefeito que ainda precisa consolidar sua marca administrativa.
E governo hesitante perde força até quando acerta.
Caraguatatuba não precisa de movimentos teatrais. Precisa de decisão. Precisa de secretário que funcione. E precisa de um prefeito que deixe claro, sem rodeio, que cargo de confiança não é abrigo para ineficiência.
Porque a paciência de um prefeito pode até ser longa. A da cidade, não.

