IMAGEM ILUSTRATIVA | IA
Não é mais uma reclamação pontual. Não é um problema isolado. E definitivamente não é apenas “falta de chuva”.
O que Caraguatatuba enfrenta hoje é uma crise que deixou de ser técnica para se tornar política. E, mais do que isso, institucional.
A cidade cresce, a demanda aumenta, o verão pressionou bem, mas a pergunta que ecoa nas ruas, nos bairros e nas casas é simples e direta:
Onde foi parar a água de Caraguatatuba?
Moradores relatam torneiras secas, fornecimento irregular, bairros inteiros enfrentando intermitência. E enquanto a população se adapta como pode, armazenando água, mudando rotina, convivendo com a incerteza, o sistema que deveria garantir o básico falha.
E falha de forma visível.
Não se trata apenas de um evento climático. Trata-se de gestão, planejamento e responsabilidade sobre um serviço essencial.
A crise expõe um ponto sensível que não pode mais ser ignorado:
Há capacidade instalada suficiente para atender a cidade?
Se há, por que não chega na ponta?
Se não há, por que não foi ampliada?
É nesse cenário que ganha força a instalação de uma CPI da Sabesp.
Não como instrumento político vazio.
Mas como ferramenta legítima de investigação.
Uma CPI não nasce para fazer barulho. Ela nasce quando o silêncio já se tornou insustentável. E hoje, em Caraguatatuba, o silêncio começa a pesar mais do que a própria falta de água.
A população não quer discursos técnicos desconectados da realidade. Quer respostas claras. Quer cronograma. Quer transparência. Quer saber o que está sendo feito, o que deixou de ser feito e quem responde por isso.
A ausência de água transforma qualquer rotina em tensão. Afeta famílias, comércio, turismo e, principalmente, a confiança.nPorque quando o básico falha, tudo o resto entra em dúvida.
A CPI, se instalada com seriedade, pode cumprir um papel essencial: organizar informações, trazer dados à luz, ouvir responsáveis e, sobretudo, dar uma resposta institucional à população.
Mais do que apontar culpados, o momento exige esclarecer fatos. Mas há um ponto que não pode ser ignorado: A crise já chegou antes das respostas. E isso, por si só, já diz muito.
Caraguatatuba não pode se acostumar com a falta de água. E muito menos com a falta de explicações. A cidade precisa entender o que aconteceu. E, principalmente, o que será feito para que isso não se repita.
Porque, no fim, a pergunta continua aberta.
E cada dia sem resposta pesa mais:
Onde foi parar a água de Caraguatatuba?



JG
