Quem passou pela Praia do Camaroeiro, na região central de Caraguatatuba, se deparou com uma cena diferente no fim de semana retrasado. Centenas de pequenos caranguejos tomaram conta da faixa de areia, transformando o local em um verdadeiro espetáculo da natureza.

O registro foi feito por moradores e banhistas que circulavam pela orla e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais da cidade, chamando a atenção pela quantidade de animais visíveis ao mesmo tempo.
Apesar do susto inicial de quem não está acostumado, o fenômeno é considerado natural e esperado em determinadas épocas do ano.
Segundo a bióloga e diretora-executiva do Instituto Argonauta, Carla Beatriz Barbosa, trata-se do comportamento dos chamados caranguejos “chama-maré”, comuns no Litoral Norte. Eles ficam mais ativos durante períodos de maré baixa, especialmente em dias mais quentes.
Os machos costumam fazer movimentos repetitivos com as pinças, uma espécie de “exibição” para marcar território e atrair fêmeas. Após o acasalamento, as fêmeas liberam as larvas no mar, dando continuidade ao ciclo da espécie.
De acordo com a especialista, esse processo acontece todos os anos e tem papel importante no equilíbrio ambiental, ajudando na oxigenação da areia e na reciclagem de nutrientes do ecossistema costeiro.
Orientação para quem encontrar os animais
A recomendação é simples, mas importante:
- Evitar pisar nos caranguejos
- Não capturar ou mexer nos animais
- Não tampar os buracos na areia
Embora não sejam agressivos, os caranguejos fazem parte de um sistema sensível, e qualquer interferência pode impactar o ciclo natural da espécie.
Fenômeno já é conhecido no litoral
Situações semelhantes já foram registradas em outras cidades do litoral paulista, inclusive recentemente em Bertioga. Em Caraguatatuba, a presença desses animais é relativamente comum, principalmente em praias com características mais preservadas, como o próprio Camaroeiro.
Alerta ambiental: presença de microplásticos
Um estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) acende um sinal de alerta sobre a saúde desses animais. Pesquisas realizadas no litoral paulista identificaram a presença significativa de microplásticos em caranguejos de manguezais.
Os resíduos foram encontrados em diferentes espécies, indicando um problema crescente de poluição marinha que pode impactar toda a cadeia alimentar.
