A Defesa Civil de Caraguatatuba recebeu, na última terça-feira (25), 22 estudantes do 8º semestre do curso de Engenharia Civil do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) – Campus Caraguatatuba, que apresentaram projetos com soluções para áreas sujeitas a deslizamentos e alagamentos no Jardim Casa Branca.
Os alunos participam de um curso de extensão orientado pelo professor doutor Francisco Fabbro Neto. Desde o ano passado, com apoio da Defesa Civil e de representantes da Associação de Moradores do Casa Branca e os alunos da Escola Estadual Benedito Pinto Ferreira, os estudantes realizam trabalhos de campo no bairro, com entrevistas com moradores, levantamento topográfico, estudos do solo e identificação dos principais pontos de risco.
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A partir desse diagnóstico, os alunos foram divididos em três grupos e desenvolveram propostas de medidas estruturais e não estruturais: uma biovaleta para melhorar o escoamento da água da chuva, uma horta comunitária em área sujeita a ocupações irregulares e uma escada hidráulica para uma viela íngreme do bairro.
A proposta da biovaleta prevê uma estrutura de 133 metros de extensão na Rua Antônio Henrique de Mesquita, ponto que registra alagamentos e dificuldades de escoamento. O projeto utiliza camadas de concreto, brita, areia e material orgânico para auxiliar na captação e drenagem das águas pluviais.
A estudante Marina Cardoso dos Santos, de 22 anos, participou do grupo responsável pela proposta. “Fazer esse projeto foi bem diferente, porque antes fazíamos projetos fictícios em sala de aula. Esse foi para enfrentar um problema real. Foi complicado, mas conseguimos dar conta”, disse.
Outra proposta prevê a implantação de uma horta comunitária com uma pequena praça de convivência na parte alta do bairro, em uma área onde são registradas ocupações irregulares. O terreno seria dividido em três patamares e teria áreas verdes e permeáveis, além de canaletas para melhorar a drenagem, reduzir o risco de deslizamento e contribuir para a estabilização do solo.
Para Rebeca Lovato, de 21 anos, que participou do projeto, o contato direto com os moradores foi um dos diferenciais do trabalho. “Foi uma experiência interessante ir a campo, ter contato com a comunidade e conhecer melhor as necessidades das pessoas que vivem ali e o que elas queriam para aquele lugar”, afirmou.
A terceira proposta é uma escada hidráulica na viela da Rua Benedito Antônio de Oliveira Barbosa, entre os números 421 e 431. O trecho é bastante íngreme e apresenta dificuldades de acesso, principalmente em dias de chuva. A estrutura contribuiria tanto para a drenagem quanto para melhorar o deslocamento dos moradores, inclusive em situações de emergência. O estudante Eduardo Reinaldo Gouveia, de 21 anos, destacou que o trabalho apresentou desafios, mas trouxe aprendizado para sua formação pessoal e profissional.
Segundo o professor Francisco Fabbro Neto, o projeto terá continuidade com novas turmas e poderá contemplar outras áreas de risco de Caraguatatuba. “A ideia é propor soluções viáveis para regiões de alagamento e deslizamento e, desta forma, minimizar riscos para os moradores. Também queremos montar um banco de projetos para que o poder público possa ter como referência os estudos e soluções apontadas”, explicou.
O coordenador da Defesa Civil, Oduvaldo Romano, destacou a parceria entre o município e o IFSP e informou que os projetos também serão apresentados ao prefeito. “Vamos marcar uma visita ao gabinete para que os alunos apresentem suas ideias pessoalmente ao chefe do Executivo. A equipe da Defesa Civil agradece a todos que participaram, ao professor coordenador e parabeniza os estudantes pelos resultados”, afirmou.
